Grupo Raízes — Resumo Sistêmico
Participantes do Grupo Raízes — Supervisão em Psicogenealogia
Supervisão em Psicogenealogia

Grupo Raízes

Resumo sistêmico completo do encontro

AGOSTO · 2026
Quem esteve presente

Participantes

Objetivos: acompanhar os projetos finais da formação e criar um ritual sistêmico coletivo relacionado ao tema “culpa”. Este foi considerado o quarto encontro de um ciclo de cinco, restando pelo menos mais um.

Acompanhamento

Projetos finais

Alessandra Leite

Já havia conversado com sua orientadora, Karen, e apresentado a ideia do trabalho. Possui a introdução e boa parte da estrutura rascunhadas, mas ainda precisa concluir o genossociograma.

Relatou que a construção exige bastante tempo pela quantidade de informações familiares e pela necessidade de organizá-las. Também trouxe dúvidas sobre o uso de datas, números e conceitos aprendidos em outras leituras.

Foi esclarecido que o trabalho deve seguir a abordagem da formação, baseada na escuta, no sentir e nas informações trazidas pela pessoa atendida. Datas podem ser utilizadas quando surgirem naturalmente no relato, especialmente em relação à síndrome do aniversário, mas não devem ser inseridos conceitos externos, como pontos de concepção, nascimento ou ancestrais, quando não fazem parte da abordagem.

Alessandra demonstrou envolvimento e interesse profundo, percebendo também a necessidade de diferenciar seus conhecimentos pessoais do método específico exigido.

José Renato

Realizou duas reuniões com sua orientadora, Amanda Castro. Escolheu uma pessoa para desenvolver o projeto, elaborou o sociograma e iniciou a escrita.

A pessoa atendida chegou por indicação da orientadora, demonstrou disponibilidade e colaboração. José pretende utilizar o projeto como base para sua futura atuação profissional.

Seu formato prevê dois encontros de aproximadamente uma hora e meia:

  • Primeiro encontro: construção do sociograma, conversa sobre a história familiar e origem do nome.
  • Intervalo para elaboração de um resumo ou guia individual.
  • Segundo encontro: devolutiva, conversa, realização de um ritual e encerramento.

Escolheu a escrita de uma carta como ritual, considerando que a pessoa atendida possui formação em psicodrama, e por isso optou por não utilizar a cadeira vazia. Foi reforçada a importância de justificar a escolha da pessoa e do ritual.

Cristina Marin

Utilizará como base um trabalho já realizado com Rosane. Seu projeto será estruturado a partir de quatro exercícios, distribuídos entre os encontros e as atividades para casa:

  • Devolução dos pesos;
  • Carta;
  • Cadeira vazia;
  • Ritual com velas.

No primeiro encontro, realiza a devolução simbólica dos pesos utilizando livros ou objetos disponíveis. Depois, estabelece aproximadamente 21 dias para exercícios em casa. No retorno, utiliza a cadeira vazia e outros recursos de integração.

O grupo observou que cartas podem provocar intensa mobilização emocional. É necessário avaliar o que pode ser realizado sozinho, evitando que a pessoa fique desamparada. Cristina compartilhou que, após escrever para a mãe, uma cliente conseguiu conversar com ela e descobrir informações familiares desconhecidas.

Natali Lazzari

Chegou ao encontro sem ter recebido previamente a pauta e relatou ter estado afastada devido a problemas sérios no trabalho. Ainda não havia iniciado o projeto final.

Foi acolhida e atualizada sobre os objetivos, especialmente a criação do ritual sobre a culpa. O grupo demonstrou disponibilidade para ajudá-la na definição da pessoa atendida e da estrutura do projeto.

Hávini Sá

Conduziu a supervisão, organizou a pauta e auxiliou na compreensão dos critérios da formação.

  • Esclareceu dúvidas sobre o genossociograma;
  • Diferenciou a abordagem da formação de outras linhas teóricas;
  • Orientou sobre o uso de datas e informações familiares;
  • Reforçou a necessidade de justificar escolhas metodológicas;
  • Apoiou a construção do ritual coletivo;
  • Incentivou a conclusão dos projetos dentro do prazo.

Também destacou que o genossociograma pode despertar movimentos na própria história familiar de quem o constrói. Participantes relataram que documentos, datas e acontecimentos começaram a aparecer, produzindo ressonâncias pessoais.

Método e prática

Reflexões sobre o genossociograma

O grupo conversou sobre as dificuldades de organizar visualmente as informações, definir a posição do material, usar folhas A3, cadernos e pastas, registrar características e vínculos e conciliar diferentes modelos aprendidos.

Foi reforçado que o genossociograma deve ser construído a partir das informações trazidas pela pessoa atendida, sem exigir necessariamente documentos comprobatórios.

A orientação central foi manter fidelidade à metodologia da formação, evitando misturar indiscriminadamente conceitos de outras abordagens.

O excesso de leituras pode gerar confusão e fazer com que sejam incorporados elementos que não pertencem ao método estudado.

Tema central

A culpa

A culpa foi compreendida como um peso que pode:

  • Ser carregado por lealdade familiar;
  • Estar relacionada a acontecimentos de outras gerações;
  • Condicionar escolhas;
  • Gerar autopunição;
  • Fazer a pessoa assumir responsabilidades que não são exclusivamente suas;
  • Tornar-se parte da identidade;
  • Manter alguém preso a pessoas, acontecimentos ou histórias do passado.

O ritual deve ajudar a diferenciar responsabilidade de culpa, reconhecendo o que pertence à pessoa e devolvendo simbolicamente o que foi herdado ou assumido de forma inconsciente.

“Eu devolvo aquilo que não é meu e aquilo que não for seu, devolva à sétima geração.”

A culpa pode ter um lugar próprio, mas esse lugar não precisa ser dentro da pessoa que a carrega.

Prática coletiva

Construção do ritual

O grupo inicialmente considerou velas e fogo, mas abandonou a proposta por causa do tempo de queima, dificuldade de controle, risco de a vela apagar, segurança e possibilidade de mobilização emocional. Buscou-se uma alternativa simples, segura e acessível.

Elementos definidos

01 · Nomear

Um pequeno papel com: “Se a culpa tivesse nome, rosto, pessoa ou objeto, qual seria?” e “Eu me sinto culpado(a) por…”

02 · Reconhecer

Prender o papel a aproximadamente um metro de linha ou barbante. A linha representa a amarra; a mochila ou outro objeto representa o peso.

03 · Romper

Carregar o peso por alguns instantes e depois romper a linha, simbolizando a ruptura com a culpa que não pertence à pessoa.

O rompimento foi considerado mais adequado do que o corte, por representar uma libertação realizada pela própria força da pessoa. Depois, ela poderá enterrar, colocar na água ou dar outro destino simbólico ao papel e à linha.

Frases possíveis

  • Eu não preciso carregar essa culpa como parte da minha identidade.
  • Eu posso transformar essa experiência em aprendizado.
  • Eu posso ser responsável sem me destruir.
  • Eu devolvo o peso dessa culpa para o lugar ao qual pertence.
  • Aquilo que não é meu, eu devolvo.
  • Essa culpa tem um lugar, mas esse lugar não é dentro de mim.
  • Eu me libero das amarras dessa culpa.
Atenção

Cuidados sistêmicos e emocionais

  • Evitar deixar a pessoa sozinha após grande mobilização.
  • Explicar previamente cada etapa.
  • Não forçar a pessoa a compartilhar mais do que deseja.
  • Utilizar objetos simples e acessíveis.
  • Evitar práticas potencialmente perigosas.
  • Criar um momento de respiração e aterramento ao final.
  • Diferenciar responsabilidade pessoal do que foi herdado.
  • Encerrar com uma frase de integração e segurança.

O objetivo não é apagar a história, negar responsabilidades ou culpar ancestrais, mas possibilitar uma nova relação com aquilo que foi carregado.

Integrações

Aprendizados do encontro

  • A construção do genossociograma exige tempo, organização e escuta cuidadosa.
  • É importante seguir a metodologia ensinada na formação.
  • Leituras complementares podem enriquecer, mas também gerar confusão quando misturadas sem critério.
  • O ritual precisa estar conectado ao tema e produzir uma experiência simbólica concreta.
  • A simplicidade dos materiais favorece a participação.
  • A segurança emocional deve ser considerada em todas as etapas.
  • O ritual deve permitir que a pessoa sinta, reconheça e ressignifique.
  • A culpa pode ser trabalhada como peso, amarra, identificação e lealdade.
  • A libertação simbólica precisa ser acompanhada de responsabilidade e integração.
Próximos passos

Encaminhamentos

  • Alessandra concluirá o genossociograma e ajustará o trabalho à metodologia.
  • José finalizará o projeto e justificará a escolha da pessoa e da carta.
  • Cristina organizará os quatro exercícios e definirá o que será feito nos encontros e em casa.
  • Natali iniciará a definição da pessoa atendida e da estrutura do projeto.
  • O grupo consolidará o texto final do ritual da culpa.
  • Cada participante providenciará papel pequeno e aproximadamente um metro de linha ou barbante.
  • As anotações e ajustes serão compartilhados no WhatsApp.
  • Será elaborado relatório/ata dos encontros para registro da formação.
  • O próximo encontro ocorrerá entre setembro e outubro, preferencialmente após 5 de setembro e após o próximo encontro geral.
Fechamento

Síntese final

O encontro foi marcado por acolhimento, troca de experiências e amadurecimento do processo formativo. O grupo avançou na organização dos projetos finais e na criação de um ritual coletivo sobre a culpa.

A principal compreensão foi a de que a culpa pode funcionar como peso transgeracional, amarra ou identificação que limita a vida. O ritual busca tornar essa experiência visível, reconhecer sua origem, separar responsabilidade de culpa e permitir que cada pessoa rompa simbolicamente com aquilo que não precisa mais carregar.

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Grupo Raízes · Um encontro para reconhecer, devolver e seguir mais leve.