Participantes
Objetivos: acompanhar os projetos finais da formação e criar um ritual sistêmico coletivo relacionado ao tema “culpa”. Este foi considerado o quarto encontro de um ciclo de cinco, restando pelo menos mais um.
Projetos finais
Alessandra Leite
Já havia conversado com sua orientadora, Karen, e apresentado a ideia do trabalho. Possui a introdução e boa parte da estrutura rascunhadas, mas ainda precisa concluir o genossociograma.
Relatou que a construção exige bastante tempo pela quantidade de informações familiares e pela necessidade de organizá-las. Também trouxe dúvidas sobre o uso de datas, números e conceitos aprendidos em outras leituras.
Foi esclarecido que o trabalho deve seguir a abordagem da formação, baseada na escuta, no sentir e nas informações trazidas pela pessoa atendida. Datas podem ser utilizadas quando surgirem naturalmente no relato, especialmente em relação à síndrome do aniversário, mas não devem ser inseridos conceitos externos, como pontos de concepção, nascimento ou ancestrais, quando não fazem parte da abordagem.
Alessandra demonstrou envolvimento e interesse profundo, percebendo também a necessidade de diferenciar seus conhecimentos pessoais do método específico exigido.
José Renato
Realizou duas reuniões com sua orientadora, Amanda Castro. Escolheu uma pessoa para desenvolver o projeto, elaborou o sociograma e iniciou a escrita.
A pessoa atendida chegou por indicação da orientadora, demonstrou disponibilidade e colaboração. José pretende utilizar o projeto como base para sua futura atuação profissional.
Seu formato prevê dois encontros de aproximadamente uma hora e meia:
- Primeiro encontro: construção do sociograma, conversa sobre a história familiar e origem do nome.
- Intervalo para elaboração de um resumo ou guia individual.
- Segundo encontro: devolutiva, conversa, realização de um ritual e encerramento.
Escolheu a escrita de uma carta como ritual, considerando que a pessoa atendida possui formação em psicodrama, e por isso optou por não utilizar a cadeira vazia. Foi reforçada a importância de justificar a escolha da pessoa e do ritual.
Cristina Marin
Utilizará como base um trabalho já realizado com Rosane. Seu projeto será estruturado a partir de quatro exercícios, distribuídos entre os encontros e as atividades para casa:
- Devolução dos pesos;
- Carta;
- Cadeira vazia;
- Ritual com velas.
No primeiro encontro, realiza a devolução simbólica dos pesos utilizando livros ou objetos disponíveis. Depois, estabelece aproximadamente 21 dias para exercícios em casa. No retorno, utiliza a cadeira vazia e outros recursos de integração.
O grupo observou que cartas podem provocar intensa mobilização emocional. É necessário avaliar o que pode ser realizado sozinho, evitando que a pessoa fique desamparada. Cristina compartilhou que, após escrever para a mãe, uma cliente conseguiu conversar com ela e descobrir informações familiares desconhecidas.
Natali Lazzari
Chegou ao encontro sem ter recebido previamente a pauta e relatou ter estado afastada devido a problemas sérios no trabalho. Ainda não havia iniciado o projeto final.
Foi acolhida e atualizada sobre os objetivos, especialmente a criação do ritual sobre a culpa. O grupo demonstrou disponibilidade para ajudá-la na definição da pessoa atendida e da estrutura do projeto.
Hávini Sá
Conduziu a supervisão, organizou a pauta e auxiliou na compreensão dos critérios da formação.
- Esclareceu dúvidas sobre o genossociograma;
- Diferenciou a abordagem da formação de outras linhas teóricas;
- Orientou sobre o uso de datas e informações familiares;
- Reforçou a necessidade de justificar escolhas metodológicas;
- Apoiou a construção do ritual coletivo;
- Incentivou a conclusão dos projetos dentro do prazo.
Também destacou que o genossociograma pode despertar movimentos na própria história familiar de quem o constrói. Participantes relataram que documentos, datas e acontecimentos começaram a aparecer, produzindo ressonâncias pessoais.
Reflexões sobre o genossociograma
O grupo conversou sobre as dificuldades de organizar visualmente as informações, definir a posição do material, usar folhas A3, cadernos e pastas, registrar características e vínculos e conciliar diferentes modelos aprendidos.
Foi reforçado que o genossociograma deve ser construído a partir das informações trazidas pela pessoa atendida, sem exigir necessariamente documentos comprobatórios.
O excesso de leituras pode gerar confusão e fazer com que sejam incorporados elementos que não pertencem ao método estudado.
A culpa
A culpa foi compreendida como um peso que pode:
- Ser carregado por lealdade familiar;
- Estar relacionada a acontecimentos de outras gerações;
- Condicionar escolhas;
- Gerar autopunição;
- Fazer a pessoa assumir responsabilidades que não são exclusivamente suas;
- Tornar-se parte da identidade;
- Manter alguém preso a pessoas, acontecimentos ou histórias do passado.
O ritual deve ajudar a diferenciar responsabilidade de culpa, reconhecendo o que pertence à pessoa e devolvendo simbolicamente o que foi herdado ou assumido de forma inconsciente.
A culpa pode ter um lugar próprio, mas esse lugar não precisa ser dentro da pessoa que a carrega.
Construção do ritual
O grupo inicialmente considerou velas e fogo, mas abandonou a proposta por causa do tempo de queima, dificuldade de controle, risco de a vela apagar, segurança e possibilidade de mobilização emocional. Buscou-se uma alternativa simples, segura e acessível.
Elementos definidos
Um pequeno papel com: “Se a culpa tivesse nome, rosto, pessoa ou objeto, qual seria?” e “Eu me sinto culpado(a) por…”
Prender o papel a aproximadamente um metro de linha ou barbante. A linha representa a amarra; a mochila ou outro objeto representa o peso.
Carregar o peso por alguns instantes e depois romper a linha, simbolizando a ruptura com a culpa que não pertence à pessoa.
O rompimento foi considerado mais adequado do que o corte, por representar uma libertação realizada pela própria força da pessoa. Depois, ela poderá enterrar, colocar na água ou dar outro destino simbólico ao papel e à linha.
Frases possíveis
- Eu não preciso carregar essa culpa como parte da minha identidade.
- Eu posso transformar essa experiência em aprendizado.
- Eu posso ser responsável sem me destruir.
- Eu devolvo o peso dessa culpa para o lugar ao qual pertence.
- Aquilo que não é meu, eu devolvo.
- Essa culpa tem um lugar, mas esse lugar não é dentro de mim.
- Eu me libero das amarras dessa culpa.
Cuidados sistêmicos e emocionais
- Evitar deixar a pessoa sozinha após grande mobilização.
- Explicar previamente cada etapa.
- Não forçar a pessoa a compartilhar mais do que deseja.
- Utilizar objetos simples e acessíveis.
- Evitar práticas potencialmente perigosas.
- Criar um momento de respiração e aterramento ao final.
- Diferenciar responsabilidade pessoal do que foi herdado.
- Encerrar com uma frase de integração e segurança.
O objetivo não é apagar a história, negar responsabilidades ou culpar ancestrais, mas possibilitar uma nova relação com aquilo que foi carregado.
Aprendizados do encontro
- A construção do genossociograma exige tempo, organização e escuta cuidadosa.
- É importante seguir a metodologia ensinada na formação.
- Leituras complementares podem enriquecer, mas também gerar confusão quando misturadas sem critério.
- O ritual precisa estar conectado ao tema e produzir uma experiência simbólica concreta.
- A simplicidade dos materiais favorece a participação.
- A segurança emocional deve ser considerada em todas as etapas.
- O ritual deve permitir que a pessoa sinta, reconheça e ressignifique.
- A culpa pode ser trabalhada como peso, amarra, identificação e lealdade.
- A libertação simbólica precisa ser acompanhada de responsabilidade e integração.
Encaminhamentos
- Alessandra concluirá o genossociograma e ajustará o trabalho à metodologia.
- José finalizará o projeto e justificará a escolha da pessoa e da carta.
- Cristina organizará os quatro exercícios e definirá o que será feito nos encontros e em casa.
- Natali iniciará a definição da pessoa atendida e da estrutura do projeto.
- O grupo consolidará o texto final do ritual da culpa.
- Cada participante providenciará papel pequeno e aproximadamente um metro de linha ou barbante.
- As anotações e ajustes serão compartilhados no WhatsApp.
- Será elaborado relatório/ata dos encontros para registro da formação.
- O próximo encontro ocorrerá entre setembro e outubro, preferencialmente após 5 de setembro e após o próximo encontro geral.
Síntese final
O encontro foi marcado por acolhimento, troca de experiências e amadurecimento do processo formativo. O grupo avançou na organização dos projetos finais e na criação de um ritual coletivo sobre a culpa.
A principal compreensão foi a de que a culpa pode funcionar como peso transgeracional, amarra ou identificação que limita a vida. O ritual busca tornar essa experiência visível, reconhecer sua origem, separar responsabilidade de culpa e permitir que cada pessoa rompa simbolicamente com aquilo que não precisa mais carregar.